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Amaças e assassinatos a líderes de Zonas de Reserva Campesina constatam existência do paramilitarismo

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Nas últimas semanas o Governo Nacional se encarregou de rechaçar veementemente a existência de grupos paramilitares no país reduzindo-os a organizações de narcotraficantes ou bandos criminais. O próprio ministro de Defesa, Luis Carlos Villegas, negou a existência desses grupos em Colômbia: “Não há paramilitares, assim que aceitar isso é dar-lhes garantias políticas aos que não as merecem. Há assassinatos porém não são sistemáticos, se o fossem [eu] seria o primeiro em aceitá-lo”, afirmou o ministro.

Assim como Villegas, altos funcionários do Estado têm enfatizado no mesmo: em abril do ano passado, Juan Fernando Cristo, ministro do Interior, declarou no mesmo sentido que as chamadas “Bacrim” são simplesmente organizações de crime organizado. Estas afirmações são contestadas por comunidades, organizações sociais e alguns partidos políticos que foram declarados objetivo militar ou perderam a seus membros pelo acionar paramilitar.

O senador Iván Cepeda advertiu que os assassinatos de líderes sociais e a nova presença paramilitar constituem as mais graves ameaças contra o processo de paz. No que grande parte do movimento social está de acordo é em que se evidencia uma revitalização do paramilitarismo em vários estados do país, situação que gera preocupação já que traz à memória o genocídio cometido contra a União Patriótica quando grupos paramilitares, com o apoio do Estado, assassinaram a cinco mil militantes desse partido político que surgiu após os diálogos de paz entre o governo de Belisario Betancur e as FARC.

Segundo o informe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz, em 2016 foram assassinados 117 líderes sociais em todo o país. Situação que o Governo Nacional relaciona com motivações passionais, de intolerância ou simplesmente como fatos isolados; insuficientes para gerar algum padrão que indique um plano sistemático para terminar com a vida de dirigentes regionais e locais. Se trata de crimes que até o momento continuam na impunidade, o que não é outra coisa senão a cumplicidade “passiva” dos entes judiciais do país.

Mais além da discussão terminológica sobre “sistematicidade”, é evidente que há uma perseguição contra líderes sociais; perseguição realizada por organizações que se autoproclamam paramilitares e que reproduzem lógicas similares às antigas AUC. A Comissão Nacional de Reparação e Reconciliação fez um esforço por caracterizar aos grupos paramilitares da seguinte maneira:

“Poderiam ser definidas como agrupações armadas com alcance nacional que, sob o pretexto de combater as organizações insurgentes, acumularam poder territorial, institucional e econômico, atacando e deslocando a população e indivíduos indefesos e a suas organizações, aos quais consideravam bases de apoio da guerrilha, convencidos de que os recursos estatais usados no marco do Estado de Direito não são efetivos para combater a insurgência ou a seus apoios sociais”.

Mais além de que o governo aceite ou negue a existência do paramilitarismo, a realidade e o momento político exigem das instituições ações sérias que contra-arrestem o acionar desses grupos que, paramilitares ou não, pretendem controlar as zonas abandonadas pelas FARC-EP em seu processo de desmobilização. Um controle que pretendem consolidar através do extermínio e da perseguição contra as organizações sociais que não lhes sejam funcionais. Como mostra disso são as últimas ameaças que lançaram em Córdoba as Autodefesas Gaitanistas de Colômbia contra Elena Mercado, Arnovis Zapata, Iván Ojeda e Andrés Chica; líderes sociais de Marcha Patriótica e da Associação Nacional de Zonas de Reserva Campesina. (Membros de Marcha Patriótica em Córdoba teriam sido amaçados por paramilitares) Uma situação similar ocorreu em Cauca, onde as Águilas Negras declararam objetivo militar a integrantes de Marcha Patriótica, docentes da Universidade de Cauca, Asoinca, Aspu, Cima, Acin, Rota Pacífica das Mulheres e Acit acusando-os de serem auxiliares da insurgência para “justificar” assim qualquer agressão.

O poder que têm e ao qual aspiram é tão grande que algumas dessas organizações ilegais já se atrevem a sustentar enfrentamentos contra o Exército Nacional (Combates em Juan José, Puerto Libertador), o que termina significando um perigo não só para as comunidades como também para o próprio estabelecimento.

Porém, apesar de tudo, as autoridades e funcionários dizem os paramilitares não existem. E, enquanto não exista uma vontade política real para combatê-los, serão um grande risco para construir um país em paz.

Fonte: Prensa Rural

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