El amor concreto

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Por: María Aureliana Buendía, FARC-EP

O amor na guerrilha fariana tem sido uma constante. Chegamos à luta armada por amor a nós mesmos, o que chamam a autoestima, a se rebelar contra a violência do Estado quando já não se pôde de outra forma.

Por amor e solidariedade, que é o mesmo porém não igual, a nossas famílias e a nosso povo. Na guerrilha mesma, conhecemos o amor pela companheira ou companheiro de trincheira, de marcha, de combate, de tarefa, um alto conceito da fraternidade. Evidentemente vivemos com paixão sem igual o amor romântico, hormonal, carnal.

Em tempos de confrontação armada os filhos desses amores foram poucos ou menos dos que se teria querido pelas condições da guerra, que são isso –de guerra. Em virtude disso que apenas se vislumbra, a possibilidade da paz, naturalmente o amor se transborda, as cinturas desaparecem, brilham os olhos de homens e mulheres que esperam ansiosos a chegada de seus pequeninos. A paz sonhada, sofrida, tantas vezes esquiva por fim se perfila. Em meio do poder da mesquinharia de uns poucos se filtra como a água, brota por todos os rincões, se faz povo, se faz fruto.
Os filhos ou filhas dos irmãos são nossos sobrinhos, eles nos chamarão um dia tia ou tio e isso deve soar assombrosamente doce. Alegre e brincalhão como a música de Mozart, fresco como o ar na montanha, deve soar como uma revoada de pássaros sobre o mar.

Amamos aos sobrinhos como a nossos próprios filhos, queremos cercá-los de segurança, protegendo-os do que cremos mau, pensando que por nenhum motivo ou razão sofram ou padeçam experiências sofridas por nós mesmos. Lutamos por sua felicidade, sonhamos para que vivam experiências lindas. Éramos uma família sem meninos e meninas brincando, gritando, desordenando, perguntando mil vezes as mesmas coisas, dizendo palavras e frases assombrosas. Agora somos uma família completa, com mais responsabilidades.

Temos a responsabilidade, o compromisso, a obrigação de construir junto com o povo a paz em Colômbia. Com os olhos muito abertos, os sentidos alerta, mais que antes, ter presente que os amigos da guerra não dormem e não o fazem porque não têm sonhos, só pesadelos. Com amplidão e generosidade, com a força de nossos valores e princípios. A unidade, a disciplina, o trabalho e o estudo permanentes; a confiança em nossos dirigentes, chefes e camaradas serão garantia de nossos propósitos.

O amor por uma mulher ou um homem, o amor pelos filhos, o amor pelos camaradas de luta; a saudade, que é a da tristeza do amor, pelos caídos; o amor pelo povo deve ser concreto, deve materializar-se em algo. O amor quando é verdadeiro move montanhas e faz possível o impossível. Esse amor se concretiza em fazer um país melhor para todos, as ideias, projetos, planos se levam a cabo inspirados nas pessoas.
Já nossos herdeiros, hoje pequenas pessoinhas, o levam em seu sangue, em seus genes. Estes pequenos nasceram contagiados pelo vírus da revolução, serão educados por seus pais, tios e tias nas matemáticas da luta, na relatividade dos processos sociais e da física quântica, na poesia e na música de nossa história.

A esses seres pequenos nascidos da esperança de paz e do amor, a esses bebês em acampamentos das Zonas Veredais, lhes dedicamos 53 anos de luta.

Tradução: Joaquim Lisboa Neto

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