Las FARC-EP son producto de la lealtad de Manuel y Jacobo

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Por:  María Aureliana Buendía

Está ocorrendo um evento extraordinário em nosso país, as FARC-EP estamos nos convertendo num partido político legal. É indubitável que a maioria do povo colombiano sente regozijo, grandes expectativas e enormes esperanças frente a esta nova realidade que apenas começa a adquirir sua forma.

Os meios de comunicação fazem a sua parte: garantir que o rebanho não pense, não opine; dar a sensação de que o tema da paz já não interessa a ninguém. Sua tarefa é vencer o que eles chamam de “síndrome de Vietnã”, porém o tiro lhes vai sair pela culatra: da paz se apropriarão cada vez mais milhões de colombianos. É a lógica da vida, do desenvolvimento, do irrefreável desejo da humanidade por vencer obstáculos e se superar.

Em conjunturas como estas e frente ao primeiro congresso de nosso partido é bom recordar o pensamento de Manuel e de Jacobo, graças aos quais estamos hoje aqui, fazer um exercício político e traduzir suas ideias e concepções, sua prática revolucionária a este momento histórico. Podemos aplicar esses mesmos princípios da práxis política guerrilheira ao novo partido, à nossa atividade relacionada com a implementação dos acordos de paz? À construção de um país moderno e em paz?

Hoje têm a vigência do sol que sai a cada dia, deve ser a inspiração com a qual cometamos cada uma das tarefas que tenhamos por diante, grande ou pequena, pessoal, individual ou coletiva. Dizia assim Jacobo Arenas em Marquetalia, 1964:

“Há que ir às reuniões celulares. Há que explicar de maneira simples e clara a linha política, pondo exemplos numa linguagem acessível à mentalidade das gentes. Há que escutar atentamente aos companheiros, fazer apontamentos e concretizar a discussão em tarefas práticas e imediatas. Há que verter nas células a experiência que a pessoa tenha conseguido acumular. Há que ensinar sem nenhum pedantismo e ao mesmo tempo aprender.

Nas reuniões de massas é preciso se armar de paciência se se quer ajudar a elevar seu nível político. Há que agitar, propagar ideias, explicar a linha política do Partido. Dar segurança às massas em cada momento, tomar suas palavras e dar-lhes uma saída concreta. Quando a gente está consciente sobre a origem de suas misérias e sofrimentos, recebe com entusiasmo a solução revolucionária.

O guerrilheiro de hoje é um profissional revolucionário, que deve elevar constantemente seu nível político e cultural...

O guerrilheiro necessita compreender o curso do processo revolucionário e suas perspectivas, em escala nacional e internacional. Necessita saber como se combinam todas as formas de luta do povo e em que direção. Necessita saber isso porque até agora, não obstante a vida de miséria, exploração, submissão, violência e guerra, o povo não se levantou à insurreição, e quando o fez não conseguiu chegar à meta proposta.
Nesta luta é possível compreender o significado da solidariedade nacional e mundial com os combatentes guerrilheiros. A vida entre os guerrilheiros ajuda a compreender de uma maneira transparente, imediata e, se se quer, brutal, o humanismo proletário. Se aprende a viver em comunidade, a compartir aflições, carências, tragédias e alegrias. A dor de um todos sentem, a alegria de um é patrimônio coletivo. Quando um dos nossos cai, a dor e o luto nos envolve a todos; e quando obtemos uma vitória, todos nos sentimos inflamados pela fé e pela paixão revolucionárias.

A vida guerrilheira está livre de falácias. É real, desprendida. Nada há oculto. Não há comércio de nada. A única indústria da guerrilha é a revolução. Não há propriedade privada, tudo é propriedade da revolução. O movimento armado é um formigueiro de trabalho revolucionário; cada qual tem seu posto nas fileiras da revolução. A cada um se lhe veem e assinalam seus defeitos, com vistas à correção. O guerrilheiro é a revolução materializada...”

Se insiste em palavras, que são conceitos profundos, sobre as quais se escreveu toneladas de livros: revolução, luta, coletivo, consciência. Nada se improvisa, tudo está argumentado para a análise que sirva à luta concreta.

As FARC-EP são produto da lealdade de Manuel e Jacobo, lealdade entre eles e frente aos interesses da Colômbia e seu povo. Não podia haver um melhor primeiro chefe que Marulanda e um melhor segundo que lhe cuidasse a retaguarda que Jacobo. E ambos colocando toda sua inteligência, suas capacidades, seus conhecimentos, seu sacrifício, sua vontade de superação a serviço de construir a ferramenta da revolução. Assim falava Jacobo:

“O homem que assim nos falou é Manuel Marulanda Vélez. 35 anos, casado, cinco filhos. Campesino, filho de campesinos, obrigado a se transformar em guerrilheiro, depois em comandante de guerrilhas e agora em chefe do movimento guerrilheiro do Bloco Sul e líder das massas do Nó da Cordilheira Central.

Para a reação e o imperialismo, Marulanda é o “bandoleiro Tiro-Fijo”. Com isso, pretendem rebaixar a estatura deste quadro político e militar, um dos combatentes guerrilheiros que mais pesadelos tem dado às forças militares oficiais...

Nele se resumem as melhores condições de um quadro nacional da revolução. Nele nunca decaem o ânimo da luta, sua fé no povo, sua inclinação a estar pensando e atuando em função da revolução. Sempre está desenvolvendo planos de luta porque entende que a energia das massas é inesgotável e que do contato com elas brotam todos os dias tarefas novas em benefício da causa revolucionária. Tampouco se desespera porque o curso da luta seja tortuoso e demorado. Em numerosas ocasiões tem explicado que este é um problema da consciência popular, e que, enquanto essa consciência estiver anestesiada pela ideologia burguesa, a luta dos revolucionários, suas palavras de ordem, não acenderão com a suficiente força no povo, único capaz de realizar a revolução.

Compreende que iremos ganhando as massas no próprio processo da luta, mediante o esforço da vanguarda para inculcar-lhes uma consciência nova, socialista, e que isto não se consegue por decreto, nem porque a uns quantos impacientes se lhes ocorra que há que passar já à insurreição, senão que mediante a prática da luta de massas, fazendo com que estas confrontem suas ideias não revolucionárias com a vida e fazendo-as se conscientizarem de que para solucionar os problemas do povo e do país é necessária sua ação independente, a intervenção aberta das massas combinando todas as formas de ação popular

“Isto é o claro para mim –me dizia uma vez-. O demais são fantasias de gentes enfermiças”.
 
Tradução: Joaquim Lisboa Neto

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