Minha experiência na Unidade Nacional de Proteção

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Por: Angelmiro López Pabón

Senti orgulho quando a direção da unidade a que pertencia me fez saber que fazia parte do pessoal que tomaria o curso de segurança e proteção. Isso representava uma honra para mim, pois meu destino seria responder pela segurança de nossos líderes, um verdadeiro privilégio.

Porém, em meio à alegria me assaltou uma preocupação, os que se encarregariam de nossa preparação era pessoal pertencente ao Estado, não sabia como me iria em uma escola de formação dirigida pelos que no passado foram nossos adversários na guerra.

Chegada a hora, devemos sair para o curso. Antes de sair da Zona, nos despedimos de nosso querido comandante Timo e logo seguimos pela rodovia em péssimo estado que a une a Tibú. Ali nos encharcamos de barro até os joelhos, empurrando os carros que se supõe iam nos transportar. Três horas depois chegamos ao aeroporto.

Já a bordo do avião e com este em voo, não deixavam de me mortificar os nervos. Era a primeira vez que viajava num aparelho desses, e simultaneamente não deixava de pensar no curso, na necessidade que tinha de me desempenhar o melhor possível. Isso me impedia de apreciar como deveria a paisagem que divisava pela janelinha. Às cinco da tarde chegamos na capital do país.

Senti alegria por me encontrar em Bogotá. Nela vivem Laura e Laura Sarita, a mulher e a menina que mais amo na vida. Me sentia feliz ao saber que estávamos respirando o mesmo ar. O contraste dos climas era demasiado grande, em Caño Índio faz um calor de forno, agora começava a experimentar um frio muito intenso. Me disse que era a primeira prova que devia enfrentar. Confirmei isso quando nos conduziram a Facatativá, à escola, o frio era ainda maior.

A chegada à escola da Unidade Nacional de Proteção e o conhecimento dos instrutores representou algo inesperado para mim. Sentimos que nos recebiam e saudavam pessoas muito simples e amáveis, gente humilde do povo colombiano, iguais a nós que havíamos sido guerrilheiros das FARC-EP.

A partir de então me vejo obrigado a reconhecer a preocupação do corpo de instrutores por nós. É certo que são funcionários do Estado, porém devo ressaltar que fizeram um grande esforço por capacitar-nos e nos formar, a homens e mulheres, como autênticos membros da Unidade Nacional de Proteção. Me apeguei com a academia da UNP e com seus instrutores, o que me conduziu a lhes compor uma canção que intitulei TODOS SOMOS IRMÃOS. Ao interpretá-la em ritmo de rap, senti quanto lhes agradava meu gesto.

Agora me atrevo a dizer que a conquista mais importante da Colômbia nos últimos tempos foi deter o dessangramento do qual padecia. A guerra entre irmãos da mesma pátria nos fazia enorme dano a todos. O que nos resta agora é lutar, pacificamente, para que os Acordos que puseram fim ao conflito se cumpram. Isso não nos corresponde somente às FARC mas também a todos os colombianos. A paz é o bem maior de qualquer povo. A convivência e o trabalho conjunto com o pessoal da academia me serviram para compreendê-lo melhor.

O convite é a defender os Acordos de Havana, a lutar unidos por seu cumprimento. Isso, sim, é o que garantirá definitivamente a paz em nosso país. Não permitamos que a guerra regresse, todos temos direito a viver tranquilos, em completa paz.

O refrão de minha canção diz assim: Irmãos cantemos todos/ por Colômbia e pela paz/ que desta escola sairemos/ como exemplo de unidade.
Que vivam Colômbia e a paz, que a guerra morra para sempre.

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